Economia à escala global

Há muito tempo que vários países ansiavam que a economia se tornasse à escala global. Eram os países menos desenvolvidos os mais interessados, pois consideravam que, desta forma, os países mais ricos iriam ajudá-los a desenvolver-se a nível económico e social e a melhorar a sua qualidade de vida. Porém, aquando da economia à escala global, em que as atividades fundamentais dos países atingem um grau de interação elevada, as desigualdades entre os países persistem e em alguns casos aumentam.

A maior integração mundial contribuiu para o aumento da diferença de rendimento entre os países, sendo que essa diferença nos países mais ricos e mais pobres atingiu cinquenta e dois dólares em 1985. Para além disto, com a Divisão Internacional do Trabalho, a qual divide a produção de bens pelos países de acordo com as vantagens relativas que cada país apresenta relativamente a um bem, as desigualdades aumentarão. Decorrente da DIT, verifica-se a deterioração dos termos de troca nos países em desenvolvimento, pois estes exportam essencialmente matérias-primas e produtos agrícolas, a baixo custo, e importam bens de elevado valor tecnológico dos países desenvolvidos, os quais têm maior valor acrescentado, sendo, por isso, mais caros. Esta especialização dos países em desenvolvimento nos bens primários contribui para uma balança comercial negativa nestes países, a qual aumenta a divida externa, dificulta o crescimento económico e acentua a pobreza.

Apesar de ter sido criada a Organização Mundial do Comércio, em 1995, a qual veio substituir o Acordo Geral Sobre Pautas Aduaneiras e Comércio ou General Agreement on Tariffs and Trade (GATT) e tinha como principal objetivo regular e fiscalizar o comércio mundial, esta é vista pelos PED como um meio para os países mais ricos atingirem os seus fins, acabando por não defender os países mais fracos e mais pequenos.

Pode-se dizer, então, que, infelizmente, enquanto os países mais desenvolvidos continuarem a ter um papel muito mais importante, a dominar o mundo e a explorar os mais fracos, nunca conseguiremos viver num mundo justo e em paz. É preciso que a OMC mude, demonstre que está ao dispor de todos os países e que o objetivo é melhorar a vida de todos os cidadãos do mundo através de trocas comerciais harmoniosas, livres e iguais para todos. Mas, mais do que isto, é preciso que os países em desenvolvimento se revoltem, que mostrem a sua força de vontade em mudar e em querer um país desenvolvido e justo quer em termos económicos quer em termos sociais e ambientais.

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