“Get a job”

ImagemGetajobLink imagem: http://9gag.com/

Texto traduzido:

 “Arranja um emprego. Vai para o trabalho. Casa. Tem filhos. Segue a moda. Age normalmente. Caminha pela calçada. Vê televisão. Obedece às leis. Poupa para quando fores velho.

Agora repete comigo:

Sou livre”

A interpretação desta imagem permite-nos tirar várias conclusões.

A sociedade atual manipula as pessoas que a constituem, impingindo determinados valores que não podemos desrespeitar. Agimos em função de juízos preconcebidos, de valores absolutos que se podem definir como os ideais.

Arranjar um emprego, casar, ter filhos e seguir a moda são consideradas ações exemplo que todos devemos seguir. Quase nos incutem que que se agíssemos doutra maneira estaríamos a ir contra as leis. Na sociedade atual, a diferença não é tolerada, o indivíduo que tem ideais que não os comuns é discriminad0, pensar por nós próprios é errado se esse pensamento não for ao encontro das leis morais implementadas, deixamos de ter direito à liberdade de expressão, à liberdade de pensamento, é-nos retirado qualquer tipo de liberdade. Não podemos escolher o que fazer, não temos essa oportunidade, somos desde cedo manipulados, condicionados a agir de uma determinada forma sem que os nossos valores individuais e as nossas opiniões sejam tidos em conta. Esta sociedade manipuladora retira-nos, mesmo que inconscientemente, todo o tipo de liberdade a que temos direito.

Questionar e problematizar estes juízos preconcebidos que são como exemplos a seguir para uma sociedade pode fazer com que nos tornemos seres diferentes, pode fazer com que sejamos vistos pela sociedade de forma diferente, podendo estas diferenças acentuar-se de tal forma que possam originar casos de discriminação. No entanto, não devemos manter as nossas opiniões para nós, devemos analisar racionalmente cada situação, construir uma opinião plausível e defendê-la, sem que esta defesa vá contra a opinião dos outros, pois desta forma iríamos fazer aos outros aquilo que lutávamos para que não nos fizessem a nós.

Podemos concluir tudo isto a partir da análise desta imagem, mas ainda há outro aspeto importante. Além de vivermos sob o controlo de alguém (sociedade), ainda temos de nos sentir felizes e livres, sendo estes valores impingidos pela mesma sociedade que nos domina sem que a nossa opinião tenha alguma relevância. É como se a nossa vida e os nossos sentimentos pudessem ser telecomandados de forma a podermos formar uma sociedade igual, onde a diferença não é aceite, e onde a igualdade não pode ser questionada. Esta igualdade, curiosamente, não é uma igualdade de tratamento, não quer dizer que todos sejamos tratados de igual forma, tenhamos as mesmas oportunidades, as mesmas posses, mas sim que pensemos todos da mesma maneira, para que os nossos superiores não tenham de lidar com problemas inesperados. Por fim, apesar de tudo, ainda temos de nos consciencializar de que somos livres mesmo não o sendo, pelos motivos que vimos anteriormente, só porque este juízo é também impingido pela sociedade.

Ao sermos configurados é evidente a carência de liberdade. A liberdade é um direito que é, ou pelo menos devia ser, comum a todas as pessoas; ninguém deve retirar-nos a liberdade.

Gabriela, João, Juliana

2 Comentários

  1. Margarida Maria Vieira Tomaz diz:

    Olá equipa de Montemor-o-Velho! Este vosso post trouxe-me imediatamente à memória um célebre poema de Eugénio de Andrade que é um grito ao amor e, por isso, também à liberdade, o único caminho que justifica as palavras sociedade, povo, nação, pátria. Transcrevo aqui o poema, na expectativa de que sintam a solidariedade, no caminho que estamos trilhando, com letras bem gordas:
    É urgente o amor
    É urgente o amor.
    É urgente um barco no mar.

    É urgente destruir certas palavras,
    ódio, solidão e crueldade,
    alguns lamentos,
    muitas espadas.

    É urgente inventar alegria,
    multiplicar os beijos, as searas,
    é urgente descobrir rosas e rios
    e manhãs claras.

    Cai o silêncio nos ombros e a luz
    impura, até doer.
    É urgente o amor, é urgente
    permanecer.
    Eugénio de Andrade

    • prodrigues diz:

      Olá, Margarida:

      Em nome dos alunos da equipa, obrigado.

      Curiosamente, e evocação desse belo poema de Eugénio de Andrade provocou-me uma outra reminiscência, que também acho apropriada ao assunto tratado:
      “Cantico Negro”, de José Régio.
      Eis um curto excerto:

      “Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
      Estendendo-me os braços, e seguros
      De que seria bom que eu os ouvisse
      Quando me dizem: “vem por aqui!”
      [...]
      Não sei por onde vou,
      Não sei para onde vou
      - Sei que não vou por aí!”

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